Discutindo Experiências Fora do Corpo na Clínica Psicológica

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Autor:

Everton de Oliveira Maraldi e Gabriel Teixeira de Medeiros

Publicação:

Coleção Psicologia, Laicidade e as Relações com a Religião e a Espiritualidade, volume 1

Tipo:

Artigo

Idioma:

Português

Data:

2016/01

A Psicologia manteve-se afastada dos fenômenos religiosos e espirituais por longo tempo, contudo, vem se aproximando da temática, por meio de estudos acerca da religiosidade-espiritualidade, que apontam sua importância em diversos âmbitos da vida. Desde julgamentos e processamentos de informações até a busca de significado para a vida e a relação com o sagrado e o transcendente, a espiritualidade está presente e corrobora para a saúde e o bem-estar biopsicossocial. A experiência fora do corpo figura como uma experiência anômala que, embora pareça rara, ocorre em 10% a 25% da população mundial e tem sentidos e hipóteses etiológicas multifacetadas. Estudos sugerem como causa da experiência: estímulos cerebrais em áreas específicas; alucinações; dramatização do mundo físico na falta de interpretação de estímulos externos; sonho; fantasia; relação com a religiosidade; entre outros. Em sua maioria, os sujeitos que alegam ter vivido uma experiência fora do corpo atribuem a tal experiência uma conotação espiritual, podendo ter conotação religiosa – e, em alguns casos, com seres espirituais, mentores e outros planos espirituais – ou não religiosa. Estudos sugerem relação de EFC com sensação de alegria, mudanças, impacto transformador na vida e valores do sujeito que as vivenciam, entre outros benefícios, mas também aponta para o medo de alguns sujeitos em relação a problemas neurológicos e/ou espirituais, de modo que o acolhimento da experiência, em ambiente terapêutico e quando abordado pelo cliente, é desejável. Outrossim, é possível trabalhar os conteúdos da EFC por meio de biofeedback e interpretações de sonho, devido ao alto valor simbólico contido em algumas experiências. Sessenta e três por cento da população americana acredita que seus cuidadores devem falar sobre as crenças espirituais dos clientes, embora outros se sintam pouco à vontade e receosos com julgamentos ou diagnósticos. Assim, as experiências fora do corpo, bem como os demais conteúdos com relação espiritual, devem ser acolhidos de modo aberto e livre de julgamentos, tentando entender as construções e valores simbólicos que o cliente deseja transmitir, sem direcioná-la, para jamais privá-lo de sua liberdade de crença e significação.

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