Ano 1957
Essa projeção que vou relatar foi um marco em minha vida. Tinha sete anos. Morava em Manaus, na rua Natal, no bairro de Adrianópolis, em uma casa de madeira. A casa ficava suspensa sobre vigas e tinha como entrada principal uma escada frontal que acabava em uma varanda que rodeava a casa.
Me recordo de estar diante da casa, descalço e sem camisa, olhando a lua extasiado. Minha mãe me chamou dizendo que estava na hora de ir tomar banho. Fiquei mais alguns minutos olhando para a lua, e disse para mim mesmo: – Nunca vou esquecer o que estou vendo! (me referia à lua).
Tomei banho, jantei e fui dormir. Eu e meu irmão dormíamos em redes, como era costume naquela época em Manaus, um ao lado do outro.
No gancho da rede ficava pendurada uma roupa qualquer, talvez uma camisa, e sua forma parecia algo assustador como um monstro – imaginário de criança. A luz do quarto ficava apagada, mas como a casa era de madeira, entrava pelas frestas um pouco de luz da varanda, e eu podia ver aquele monstro horrível pendurado bem ali no gancho da rede em que estava dormindo, prontinho para me atacar assim que eu pegasse no sono. Para me prevenir, me enrolei na rede e fingi que estava dentro de um submarino, coisa de criança. Dormi desse jeito.
Acordei algum tempo depois flutuando sobre a rede, que a essa altura estava aberta, e eu de barriga para cima. Fiquei me observando por alguns segundos, quando senti que devia ver os meus pais. Atravessei a parede do quarto e segui por um pequeno corredor, indo até o local onde eles estavam. Meus pais estavam sentados em cadeiras de balanço conversando, e eu fiquei diante deles flutuando e tentando falar com eles, que não me ouviam e muito menos viam. Minha mãe fazia crochê e meu pai estava com um livro sobre o colo, os dois se balançando lentamente na cadeira. Sai flutuando pelo mesmo lugar do qual havia vindo, passei de novo pelo corredor e segui por dentro do quarto, passando sobre a rede em que meu irmão estava dormindo. Atravessei a parede, indo parar na varanda externa da casa. Segui pela varanda e fui até a frente da casa, de onde pude ver os vizinhos sentados diante do portão conversando. Fiquei observando quem estava lá, quando naquele momento aconteceu um fato que me permitiu confirmar o que estava acontecendo comigo.
Lembrem-se, eu só tinha 7 anos, e naquele momento a minha vizinha, que também tinha a mesma idade, apareceu diante de mim na mesma condição que eu, flutuando. Frente a frente nos abraçamos e permanecemos assim por alguns segundos. A energia era de duas crianças carentes de afeto. Foi, portanto, um momento muito forte, com trocas de energia marcantes, tanto para mim quanto para ela. Instantes depois me senti tracionado e fui recuando, como se tivesse sendo puxado por alguma força, retornando ao meu corpo. Acordei, estava deslumbrado com o que havia acontecido, fiquei repetindo mentalmente toda a cena. Não resistindo, apesar do medo que os meus pais ficassem bravos comigo por estar acordado, peguei um lápis e anotei tudo o que havia acontecido.
No dia seguinte me lembro que fiquei com muita vontade de falar com a minha amiguinha, pois íamos juntos para escola, ela, o irmão dela eu e meu irmão. Mas não havia muito espaço para eu falar, tinha uma certa vergonha e medo de comentar sobre o que havia acontecido. No final, ela abordou o assunto dizendo: – Aconteceu uma coisa muito esquisita essa noite, eu vi você flutuando na minha frente bem diante da sua casa. Percebi que talvez eu pudesse falar algo, mas não sabia como e apenas perguntei: Como foi? Ela disse que havia sido um sonho muito esquisito, porque ela havia visto todas as pessoas da família e vizinhos conversando. Disse que não sentiu medo e, um pouco acanhada, comentou que no sonho nós nos abraçávamos e depois ela acordou.
Essa experiência realmente foi marcante, e todas as noites para que ela se repetisse eu fazia o mesmo ritual. Ia dormir no mesmo horário, colocava uma roupa no gancho da rede, me enrolava na rede como havia feito naquela noite e daí, por incrível que pareça, eu saía do meu corpo e podia ver muitas coisas.
Pedia papel de pão na padaria e anotava tudo o que eu via. Passei anotar todas as minhas experiências de Projeção Astral.
Isso mudou a minha vida…
Siga-nos no Twitter!
Tudo sobre espiritualidade e projeção astral.