Escrito por Newton Tarcísio (Uberaba)
Quando se estuda espiritualidade uma das premissas que se identifica é a de que a morte, em verdade, trata-se de um retorno ao mundo espiritual, do qual somos originários. Ocorre que o psicossoma abandona o corpo físico em determinado momento da existência de um indivíduo, por diversos fatores ou circunstâncias. O que perece é o corpo físico, a consciência que ali pulsava prossegue o seu caminho e dá continuidade à sua existência. Apenas a matéria densa da qual o indivíduo era constituído se desfaz.
O que poderá ocorrer daí por diante com aquele espírito desencarnado vai depender de sua condição evolutiva, e o que se espera na maioria das vezes, é que haverá uma nova reencarnação destinada ao aprimoramento e evolução da consciência.
Portanto, se morremos e reencarnamos, em cada passagem pela terra, na condição física mais densa, o encarnado toma por empréstimo a matéria da qual constitui o seu corpo humano, e assim sucessivamente e, reiteradas vezes.
Nesse sentido, quando se está na posse de determinados bens materiais quando na condição de encarnado, não se tem a coisa de maneira inarredável, inafastável, ou seja, aquela coisa é sua enquanto se permanece no mundo físico. Por vários motivos deixamos de “ter” o objeto ou bem material do qual apenas se usufrui por um determinado período de tempo, que compreende sua existência em uma encarnação. Essa posse ou uso dos bens materiais deve ser trabalhada de forma a proporcionar nosso crescimento e evolução enquanto se está aqui, no momento presente.
Dessa forma, se tudo que se acredita “ter”, na realidade não passa de uma posse temporária, não haveria “perda”, haveria sim a sucessão do domínio do bem material, em igual análise, o despojo do corpo físico para a natureza.
Se ao invés de permanecer neste processo emocional do “ter”, a consciência tomar para si a própria vida, suas perdas não seriam percebidas, não seriam sentidas ou postas em conta, oportunizando um melhor aproveitamento do sentido da vida que é o crescimento individual e a evolução para o “ser”.
Quando se perde tempo, considera-se isso uma verdadeira perda. Perder “tempo” é uma perda irreparável, pois, o passado não volta, não recicla. Pode-se considerar a experiência vivida, claro, no caso de se ter uma vida com experiências em que há um mínimo de aproveitamento, mas o que ocorre é que ficamos num processo de repetição de nossos comportamentos de vidas anteriores. A pessoa que perdeu “tempo” terá que utilizar um novo período que teria para aprender ou realizar novos trabalhos para fazer aquilo que efetivamente deixou de fazer ou aprender. Entretanto, não se contabiliza esta perda, que é irrecuperável.
É necessário, portanto, aprender a trabalhar com os bens materiais de que se possui e utilizá-los para seu crescimento, sendo certo que ao se desprender do processo emocional do “ter”, poderá utilizar sua energia e se constituir no “ser”.
"Ser” é estar no momento presente adquirindo experiências e trabalhando para a espiritualidade. Trabalho é a peça fundamental para o crescimento, é o que vai proporcionar a cada um a possibilidade de realmente aproveitar essa existência com algo mais útil e crescer, evoluir e sair da condição primitiva na qual grande parte das pessoas que vivem na terra se encontra.
A reconstrução de si próprio, desapegado das riquezas materiais torna a condição de “ser” menos penosa, ao exemplo daqueles que trabalham no amor para a construção da vida. Não há perda material ou emocional, não há o que perder; não se perde o que não se tem. O “ser” é uma condição real e intangível, você é e pronto.
Artigo escrito por Newton Tarcísio (Uberaba), com base nos conhecimentos adquiridos no CEC.
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