esquizofrenia

A esquizofrenia e a espiritualidade

Por em Comportamento e Espiritualidade.

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Imagina uma pessoa que se sente atormentada por espíritos, e essa pessoa vê a todo momento, ela vê pessoas a volta dela que na verdade são espíritos, ela ouve vozes, ouve ofensas, e ela vai se sentido cada vez mais constrangida, porque é uma situação muito difícil. Imagina que você está vendo uma coisa que ninguém vê, e para quem é que você vai contar isso? Não dá para você chegar e falar para uma pessoa que está do seu lado: “olha, eu estou vendo alguém ali, e essa pessoa está me ofendendo, está falando comigo ou está falando isso ou aquilo”, primeiro porque você pode ser considerado uma pessoa com uma esquizofrenia, uma patologia emocional que não é tão simples, ai seu quadro é um quadro psiquiátrico que precisa ser tratado numa clínica. Por outro lado pode ser uma realidade espiritual, e essa realidade espiritual o outro não vai entender, a não ser que ele seja espírita, ai ele pode interpretar do jeito que ele quiser, não é verdade? Porque ele pode dizer assim: “Você está com uma obsessão. Você está com uma obsessão espiritual. Provavelmente você fez alguma coisa ruim para essa pessoa e agora ela está te perseguindo”. Então, o que estou colocando pra você são situações.

Eu conheci uma pessoa que estava com uma dificuldade dessas ha algum tempo atrás, e foi bem interessante, porque nós estávamos com a equipe do CEC, e nós fomos até lá, a mãe dessa pessoa que estava com a dificuldade não sabia mais a quem recorrer, ela já tinha recorrido a psiquiatras, a médicos, a centros espíritas, seitas evangélicas ou religiões evangélicas, a todo tipo de igreja ela já tinha recorrido, e ela recorreu a mim porque já estava desesperada. E eu estou falando isso não porque eu tenha a solução não, eu só estou relatando pra você entender como é uma situação dessas. E eu tive com essa pessoa, a pessoa que tinha as ditas alucinações ou visões de espírito. E ela estava meio relutante de falar comigo, inclusive ela me olhava de uma forma muito defensiva, mais ai eu pedi para pessoal do CEC sair pra eu poder conversar com ela um pouquinho. E nós começamos primeiro a estabelecer uma comunicação ou contato que não era muito simples porque ela estava com ressalvas: “quem é essa pessoa que vem aqui? O que ela vai fazer por mim? Ninguém conseguiu fazer nada”. E nós começamos a conversar primeiro com muita cautela e eu com muito cuidado também pra não criar uma situação pior pra ele, uma situação mais defensiva, e ele me disse o seguinte, ele falou: “olha, eu sou esquizofrênico”, e eu falei: “me fala um pouquinho sobre a sua esquizofrenia, por que você achou que você é esquizofrênico?”, e ele falou: “não… porque algumas pessoas já me falaram que eu sou esquizofrênico”. Ele relatou quem já tinha falado que ele era esquizofrênico. Eu falei: “tá ok, então me fala um pouquinho o que acontece”, e ele começou a dizer das ofensas que os espíritos ou aquelas figuras que ele enxergava falavam pra ele o tempo todo, eram palavrões, eram agressões, eram investidas como socos e pontapés. Era uma situação complicada e ele tinha que ficar dando conta disso. Depois que ele contou tudo eu falei pra ele: “olha, eu acho que também sou esquizofrênico”, ele falou: “você é esquizofrênico?”, eu falei: “é, porque eu também vejo essas coisas que você está falando, eu vejo e às vezes eu converso com elas, dependendo da situação eu converso”. Mas se isso for uma alucinação e agora eu estou falando pra você, se isso for uma alucinação inicial ai é um quadro de esquizofrenia, mas se essa alucinação for uma condição espiritual, realmente existirem aquelas consciências pode ser uma esquizofrenia ou uma condição espiritual que virou uma esquizofrenia, a pessoa não tem como descobrir a verdade, onde começa a esquizofrenia e onde começa a percepção espiritual dela. Bom, ai conversando com ele, ele falou assim: “e o que você faz com isso?”, eu falei: “olha, eu pego tudo que eles me falam e escrevo. Ai não tem muita saída para eles, ou eles trabalham e eu transformo a nossa conversa, mesmo as agressões eu transformo em trabalho e a gente põe essa turma toda pra trabalhar”, e ai ele falou assim: “mas e se isso for uma alucinação?”, eu falei: “a alucinação também vai ter que trabalhar. E você pode transformar qualquer coisa na sua vida numa coisa muito positiva e feliz. Eu não vejo que o ser humano não tenha condições e competência para dar conta das próprias criações, nós conseguimos sim, mesmo se houver perturbações, consciências externas, nós podemos sim fazer um trabalho que resulte em felicidade, que resulte num produto do qual nós vamos nos orgulhar”, ele falou: “então acho que vou fazer isso”, eu falei: “faz isso e a gente entra em contato. Mas eu vou fazer uma coisa por você, eu vou te enviar todo meu trabalho, esse trabalho são as gravações que eu faço dos meus programas de tv, programas de rádio, minhas palestras… Eu vou enviar pra você e você vai me ouvindo e quem sabe você pode me ajudar também me dando ideias e tudo mais”, e essa pessoa falou: “ahh então… que bom”.

Sabe, eu estou contando isso pra vocês e eu sei que para algumas situações não se conseguem soluções reais, porque a pessoa já chegou num nível tão difícil que pra ela sair ela precisa de um ego auxiliar, na verdade a pessoa precisa muito mais do que um esclarecimento e apoio, ela precisa que alguém faça o caminho com ela reorganizando tudo aquilo que ela está vivendo, isso é fundamental, só que para você fazer isso, você precisa ter tempo, boa vontade e conhecimento. Se você vai ajudar alguém você vai ter que ser muito sincero da sua intenção de ajudar a pessoa. Eu acredito que o percurso que eu fiz da minha vida, foi um percurso mais de ser do que de ter, então no final das contas eu fui me trabalhando para poder fazer as coisas que eu acredito, mas não fui me trabalhando pra ter as coisas que talvez dessem mais suporte a todo esse trabalho. Mas você pode fazer sim por uma pessoa a ajuda em que ela possa conseguir ser e também ter os recursos para poder continuar o caminho. Esse mundo é um mundo físico e no mundo físico acabam incidindo todas as coisas: a espiritualidade, o emocional e o físico em si, que são as relações e tudo mais. Aproveitar esse momento é uma boa ideia. Se você não conseguir, por exemplo, dar conta de uma patologia como essa, você também não pode se culpar, porque não tem jeito de você resolver as questões que ninguém consegue resolver. Agora, o que eu quero dizer para você pra fechar isso tudo é que nós não podemos nos enganar buscando soluções paliativas que se apresentam como soluções definitivas. E normalmente nós seres humanos, estou falando de todos nós, inclusive de mim mesmo, a gente faz isso, a gente quer buscar soluções definitivas para coisas que nós criamos em várias reencarnações. O que eu penso é que a gente pode aliviar um pouco, aliviar e tentar dentro desse alívio fazer um percurso em que a pessoa se liberte aos poucos. Essa pessoa da qual eu falei recebe todo o meu material há mais de 5 anos, e foi um jeito que eu encontrei de ajudá-la, mas se você me perguntar: “e você está ajudando?”, eu penso que estou fazendo todo o esforço para que ela fique melhor, pra que ela continue e para que um dia ela se liberta de todas as coisas que ela mesma criou. Então essa é a parte que eu consigo fazer nesse instante. Eu penso que um dia eu serei bastante competente para ajudar um pouco mais, eu estou trabalhando nisso, então eu acho que também esse é o sentido da nossa vida, da vida de cada um.